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O coração durante o tratamento do câncer

August 20, 2016

 

As doenças cardiovasculares nos pacientes com câncer de qualquer natureza são eventos cada vez mais frequentes, em decorrência de avanços na terapêutica oncológica que resultaram tanto na melhora da qualidade de vida como no aumento da sobrevida dos pacientes. Nas últimas décadas, os progressos no tratamento oncológico resultaram também na maior exposição dos pacientes a fatores de risco cardiovasculares e à quimioterapia com potencial de toxicidade ao coração.
Atualmente, observa-se uma mudança no paradigma em relação ao prognóstico do paciente oncológico, que passa a ser visto como um portador de uma doença crônica que ao longo de sua evolução pode apresentar descompensações agudas, como as manifestações cardiovasculares. Entende-se por manifestações cardiovasculares insuficiência cardíaca, arritmias, surgimento de hipertensão ou descompensação desta, doenças do pericárdio (membrana que protege o coração), doença isquêmica (angina ou infarto), embolias ou tromboses.

 

Radioterapia

A radioterapia é usada no tratamento de vários tipos de tumores. Assim, as complicações cardiovasculares da radioterapia são uma preocupação adicional no manejo do paciente oncológico, sendo necessário o diagnóstico precoce e intervenção imediata. A irradiação do tórax pode causar danos ao pericárdio, miocárdio, valvas e artérias coronárias, sendo o pericárdio a estrutura mais frequentemente acometida. A incidência de complicações cardiovasculares induzidas por radioterapia é maior com altas doses de irradiação e com a associação de quimioterapia com determinadas classes medicamentosas. Pacientes com doença arterial coronária (DAC) preexistente são mais vulneráveis ao comprometimento vascular, mas as complicações da radioterapia também são relatadas em pacientes que não têm os tradicionais fatores de risco (hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, idade avançada, herança genetica e tabagismo)

 

Quais os sinais e sintomas que estes pacientes podem apresentar?

Entre os sinais que os pacientes que estão em uso de quimioterapia ou radioterapia aqueles com maior especificidade são edema de membros inferiores, aumento do volume do figado ou de todo o abdômen, desconforto torácico, taquicardia, hipotensão arterial (pressão baixa) ou hipertensão (pressão alta), alterações do nível de consciência, diminuição do volume urinário, extremidades frias, falta de ar progressiva ou aguda. Derrame pleural (liquido próximo aos pulmões) ou derrame pericárdico (liquido próximo ao coração) pode estar presente no pacientes com insuficiência cardiaca. Vale lembrar que a insuficiência cardíaca é um dos grandes "fantasmas" em pacientes que se submetem a quimioterapia. Determinadas drogas causam dilatação do coração e este perde a capacidade de bombear o sangue adequadamente. Neste caso, a ação conjunta do cardiologista e do oncologista para minimizar o impacto clinico é fundamental. Em algumas situações, drogas quimioterápicas alternativas deverão ser consideradas.

 

Perspectivas

Em decorrência do aumento da incidência do câncer e da maior sobrevida dos pacientes, a prevenção e o tratamento das doenças cardiovasculares nessa população vêm ganhando destaque. A cardiotoxicidade é uma das complicações mais significativas do tratamento do câncer, responsável por considerável morbimortalidade. Atualmente, são essenciais para o cuidado adequado do paciente com câncer a comunicação efetiva entre cardiologista e oncologista, identificação precoce do risco cardiovascular, a implementação de estratégias para redução de risco, o diagnóstico correto da descompensação cardiovascular e a instituição da terapêutica eficaz. Esse conjunto de medidas visa reduzir o risco de mortalidade e melhorar a qualidade de vida do paciente, sem interferir, se possível, no tratamento específico do câncer.

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